As exportações brasileiras avançam em quantidade, mas rendem cada vez menos. E o fenômeno não vale só para commodities: o aumento no volume das vendas de produtos industrializados, de maior valor agregado, não é acompanhado por receitas maiores.
Com a desvalorização do real, os empresários brasileiros tiveram espaço para realizar um “repasse cambial”, justificou André Leone Mitidieri, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). “Eles puderam reduzir os preços em dólar para tornar os produtos mais atraentes e ganhar mercado lá fora”, afirmou o especialista.
No primeiro trimestre deste ano, os 155,698 bilhões de quilos de vendas brasileiras renderam US$ 40,573 bilhões. Em igual período de 2015, o volume foi 14,4% menor (133,296 bilhões de quilos) e a receita, 5,4% maior (US$ 42,775 bilhões).
Outro fator que afeta o rendimento das exportações é a redução do consumo mundial. “A economia do planeta está crescendo em um ritmo menor. Com menor demanda, os preços tendem a cair”, disse Mitidieri.
A diminuição do retorno com as vendas de manufaturados, por exemplo, é causada também pelo arrefecimento da economia latino americana, onde estão alguns dos maiores compradores de produtos brasileiros, e pelo crescimento da concorrência de outros países, conforme noticiado pelo jornal DCI.
Fonte: DCI.