Reduzir os níveis de oxigênio no interior de ambientes, para impedir a propagação de incêndios, é uma forma de evitar que esse tipo de sinistro destrua novamente armazéns no Porto de Santos. A tecnologia para isso, já usada em outros países, é citada pelo diretor de projetos da ICS Engenharia, Felipe Melo. Segundo ele, além desta forma de prevenção, existem maneiras de detectar, combater e ainda isolar o fogo em galpões como o açucareiro da Rumo Logística, do Grupo Cosan, que foi destruído por um incêndio no último domingo.
O cais santista foi palco de dois incêndios de grandes proporções nos últimos 12 meses. O mais grave, em outubro passado, atingiu as instalações do Terminal Açucareiro Copersucar (TAC) e causou a destruição de dois armazéns internos, o 20 e 21, além de quatro externos, o VI, o XI, o XVI e o XXI.
Já o mais recente (no último doming), na Rumo Logística, destruiu um armazém, o X (10 externo, com capacidade para guardar 18 mil toneladas de açúcar), uma esteira transportadora e parte de outro galpão, o V. De acordo com o engenheiro, já existem no mercado formas que podem evitar novos acidentes como este.
Para prevenir incêndios, Melo aponta uma tecnologia capaz de reduzir o nível de oxigênio no ambiente. Com a instalação de uma máquina especializada, o ar é filtrado e se reduz a concentração do gás. Trata-se do Sistema OxyReduct®, produzido pela Wagner.
O Armazém X (10 externo), da Rumo Logística, foi destruído em um incêndio no último domingo
O fogo é resultado de uma reação físico-química, provocada por um combustível, calor e oxigênio. Reduzindo-se os níveis do último componente, as chamas não se propagam. “Eu nunca projetei ou instalei equipamentos deste tipo no Brasil, mas ele é capaz de impedir até as chamas de um isqueiro. É uma tecnologia recente, não prejudica funcionários, que podem ficar por algumas horas no local”, explicou o diretor da ICS.
O ar que respiramos é formado por 21% de oxigênio e 78,1% de nitrogênio e 0,9% de outros gases. No caso do sistema, o oxigênio é reduzido para cerca de 15%, concentração que não prejudica a saúde de trabalhadores.
Já para detectar a presença de fogo ou superaquecimento, Melo sugere detectores de fumaça, que podem ser ligados a alarmes e dispositivos de água ou gases para resfriamento. “Um detector não controla, nem apaga (as chamas), mas no menor sinal de fumaça, avisa a central, que pode dar uma resposta mais rápida com brigadas e o próprio Corpo de Bombeiros. Há ainda a possibilidade de sistemas interligados com resfriamento por água”.
Combate ao fogo
O uso de chuveiros automáticos, chamados sprinklers, é a medida mais eficaz para o combate às chamas, segundo o engenheiro. Os equipamentos são dispositivos acionados sempre que há aumento de temperatura. Eles atuam no resfriamento da carga e do ambiente para que as chamas não se espalhem com tanta rapidez.
No caso dos armazéns de açúcar, há o problema da própria carga, considerada de alto risco. A commodity é um produto de alta combustão, como são a lona e a borracha, usados em esteiras transportadoras. “Os incêndios vêm se repetindo e não há indicativos de outras formas de prevenção”, destacou o especialista.
Já na tentativa de isolamento do fogo, o engenheiro aponta o uso de portas corta-fogo, que podem evitar a propagação das chamas. Segundo Melo, em indústrias onde o plástico é matéria-prima, uma das exigências legais é a redução de áreas com o uso deste tipo divisória. “Pela legislação, em alguns locais, existem áreas máximas de compartimentação. Por exemplo, no caso do plástico, a exigência é que as áreas sejam divididas em módulos de até 2 mil metros quadrados e que as paredes sejam como portas corta-fogo. Não sei se atrapalharia a logística do açúcar, mas é uma opção”, destacou.
Fonte: A Tribuna On-line