Empresários e representantes setoriais apresentaram projeções otimistas para as exportações no ano que vem. O Banco Central (BC) também estimou um aumento no valor dos embarques.
Superintendente de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra afirmou que, se a cotação do dólar se mantiver no patamar atual (em torno de R$ 3,30) e a economia brasileira conseguir leve recuperação, “a tendência é o que o valor das vendas [para o exterior] aumente em 2017”.
Segundo recentes dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), 43% da receita obtida com exportações, entre janeiro e novembro, veio da negociação de produtos básicos. O principal item vendido pelo Brasil, no período, foi a soja. No próximo dia 2, o resultado de 2016 será divulgado, conforme noticiado pelo jornal DCI.
Mas a opinião de que os embarques devem avançar em 2017 não é apenas do setor primário. Segundo Patrícia Gomes, gerente de mercado externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), também deve haver melhora nos embarques de manufaturados.
“Para o ano que vem, a projeção é de melhora, impulsionada pelas economias dos Estados Unidos e da União Europeia, que estão entre nossos principais compradores.”
Durante a divulgação do balanço de setor externo de novembro, o BC seguiu a mesma linha. A autoridade projetou que as exportações vão gerar US$ 195 bilhões para o País no próximo ano, ante previsão de US$ 184 bilhões com vendas para o exterior em 2016.
Negócios
A quantidade de companhias exportadoras aumentou em 2016. Ainda que os dados de dezembro não estejam disponíveis, o Mdic informou que 24.810 companhias venderam para fora do País entre janeiro e novembro, frente a 23.548 em 12 meses de 2015.
O câmbio mais favorável para os embarques e a recessão interna estimularam a busca pelo comércio internacional, inclusive por empresas de menor porte. Os dados do Mdic indicaram que 18.958 firmas realizaram exportações de até US$ 1 milhão em 11 meses deste ano, ante 17.380 companhias em todo 2015.
Uma dessas empresas foi a VP Arte, que vende máquinas para transformação de acrílico, como dobradeiras. “Nossas vendas para outros países aceleraram na comparação com 2015 e foram responsáveis por 7% do nosso faturamento em 2016, uma ajuda considerável para um período de crise”, contou Ana Paula Paschoalino Freitas, sócia da companhia.
A entrevistada disse que pretende expandir os embarques, em 2017, para além dos países – Bolívia, Paraguai e Peru – que compraram as máquinas neste ano. “Queremos que as exportações gerem 15% do nosso faturamento, no ano que vem, e 30% em 2018”.
Ao falar sobre o ritmo das vendas em 2016, os entrevistados divergiram. Lígia destacou o desempenho do açúcar, cuja cotação internacional disparou. “Este ano foi muito bom para nós por causa de problemas na safra de países como Índia, Austrália e Tailândia. Foi uma situação atípica, que favoreceu os preços”, lembrou.
Fonte: Aduaneiras.