Um tripulante africano de 26 anos que embarcou em Serra Leoa, no Oeste da África, para uma viagem até o Porto de Santos, foi o principal personagem do exercício que simulou a chegada do vírus ebola ao cais santista. A atividade aconteceu nesta quarta-feira no trecho de cais entre os armazéns 32 e 33.
O objetivo foi colocar em prática o protocolo elaborado para essa situação, servindo como treinamento das instituições envolvidas, em condições que simulam um caso real. O simulado foi promovido pelo Ministério da Saúde, a Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP) e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com outras 12 instituições. Ao todo, mais de 150 pessoas participaram da simulação.
A ação contemplou os passos que devem ser adotados sobre um caso suspeito de Ebola, desde o aviso do comandante da embarcação à Agência de Navegação até a retirada do paciente do navio pelo Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências (GRAU) e do monitoramento dos viajantes contactantes.
Esse é o quarto simulado realizado no país com participação do Ministério da Saúde. Dois deles aconteceram nos aeroportos do Rio de Janeiro e de São Paulo, quando foi treinado o protocolo de atendimento de caso suspeito, com base em exemplo fictício de resgate de um suspeito com Ebola procedente dos países onde há epidemia do vírus (Libéria, Serra Leoa e Guiné).
Na semana passada, foi realizado simulado de Ebola em Brasileia, no Acre. Na ocasião, foram treinados os procedimentos que devem ser adotados em uma unidade de saúde para um caso suspeito da doença vindo por vias terrestres. “Estamos aprimorando as medidas que devem ser tomadas para atendimento em um caso suspeito de Ebola ou outros tipos de doenças. É um processo de constante aprimoramento. Estamos preparando o porto para qualquer adversidade em saúde pública”, explicou Daniela Buosi, Coordenadora Geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde.
Cerca de 7 mil pessoas já morreram vítimas da doença na África Ocidental, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde. O número de infectados é de 16.169. Deles, 6.928 morreram nos três países mais afetados: Serra Leoa, Guiné e Libéria.
Segundo a Prefeitura de Santos, pela proposta do exercício, o navio terá passado por Serra Leoa, onde teria embarcado o tripulante infectado. De acordo com a OMS, só nesse país foram registradas 1.461 mortes, de 6.802 casos de ebola.
A atividade aconteceu nesta quarta-feira no trecho de cais entre os armazéns 32 e 33
O simulado foi dividido em cinco etapas. A primeira delas foi a chegada do navio com o caso suspeito. Já a parte final foi a remoção do paciente do navio atracado para uma unidade preparada para tratar do caso na capital, que foi o Hospital Emílio Ribas.
Todos os agentes envolvidos utilizaram o equipamento de proteção. Após a remoção do tripulante infectado, houve a limpeza e a descontaminação do navio.
Fonte: A Tribuna