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“Levamos uma rasteira”, diz AEB sobre redução unilateral de tarifas comerciais pela Camex

“Levamos uma rasteira”. A frase curta, pronunciada em tom grave pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, resume o descontentamento com a medida adotada no último dia 11 de dezembro pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) ao publicar portarias no Diário Oficial da União reduzindo de 16% para 0%  as alíquotas de importação para 41 bens de informática e telecomunicações e promovendo o mesmo corte em relação a 535 bens de capital. Segundo ele, “com a adoção de medidas unilaterais de cortes de tarifas nós estamos implodindo o Mercosul”.

Ao comentar sobre o assunto, o presidente da AEB afirmou que “nós tínhamos conversado  com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre o impacto de medidas como essas. Falamos também com o futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, e com o vice-presidente eleito, Hamilton Brandão e todos eles, sem exceção, nos garantiram que medidas dessa natureza não seriam adotadas. Entretanto, essas medidas foram implementadas não pelo futuro governo, mas por um governo em fim de mandato. O rolo compressor do Ministério da Fazenda decidiu, unilateralmente, pela redução das tarifas”

Na visão de José Augusto de Castro, o corte abrupto, expressivo e unilateral de tarifas “é uma pancada na indústria brasileira. A nossa indústria não está preparada para enfrentar uma medida dessa natureza. Temos um custo Brasil bastante elevado e com a redução unilateral das tarifas o setor perde sua competitividade. A medida anunciada pela Camex causou um mal estar muito grande e terá um custo elevado para o setor produtivo nacional”.

O presidente da AEB disse ainda que vai encaminhar um email à Camex cobrando explicações sobre a medida, destacando que “tomar uma decisão dessa natureza às vésperas da posse do novo governo e ainda por cima de forma unilateral é muito preocupante. A medida foi tomada pelo governo do presidente Michel Temer mas sei de um integrante da equipe econômica do futuro governo Bolsonaro que apoia essa decisão. Um participante da equipe de Paulo Guedes tem se mostrado incondicionalmente a favor da redução unilateral, falando em redução segura e gradual”.

José Augusto de Castro sublinha que a medida terá reflexos nas negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia: “as negociações com o bloco europeu prosseguem, mas o que podemos demandar da União Europeia se fazemos reduções unilaterais de tarifas? Como reduzí-las antes que o parceiro de negociação, no caso a União Europeia, o faça?”

Fonte: Comex do Brasil