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Especialistas discutem benefícios e malefícios da nova reforma portuária

Para eles, até agora a nova lei mais afastou investidores do que atraiu recursos

No primeiro dia do congresso Break Bulk South America, especialistas do setor discutiram os desafios políticos econômicos à frente do novo governo brasileiro e os benefícios e malefícios da reforma portuária. Até agora as tão alardeadas reformas no setor portuário tiveram mais efeito afastando os investidores que atraindo recursos. Essa é a posição de alguns analistas do mercado, que estimaram que uma nova geração de contratos portuários pode gerar R$ 5 bilhões em novos investimentos para o setor.

Para Nelson Carlini, CEO da LogZ Logística Brasil SA, o que de mais negativo aconteceu com a nova lei foi a modificação do regime de trabalho dentro dos terminais arredados. “Você não controla o homem que trabalha para você”, disse.

Segundo Wilen Manteli, presidente da ABTP (Associação Brasileira de Terminais Portuários), o grande problema vivido hoje pelo setor são os entornos e não os terminais. “Há gargalos, mas, os terminais estão dando conta”.

Manteli explicou ainda que não há estrutura e que acessos aquaviários, o excesso de burocracia e de órgãos que equipam o conceito dos terminais privados e arrendados é que é um problema. “O obvio esta ai mas nós não enfrentamos o obvio. Não há uma estrutura, temos uma confusão se órgãos e entidades e isso atrapalha muito a atração e o desenvolvimento de novos investidores”.

Leonardo Cerquinho, diretor do Porto de Suape, disse ainda que a lei não foi benéfica para o porto. O executivo explicou que desde a implantação da nova lei, o plano diretor previsto pelo complexo sofreu com diversas modificações e atrasos. “Em 2015 deveríamos ter nosso Terminal de Conteineres entregue e em operação. Até a criação da lei tínhamos a autonomia de fazer as licitações e desenvolver o porto, claro que era limitada, mas, a velocidade ainda podia ser controlada por nós”.

Ainda segundo Cerquinho, com a nova lei nenhum terminal de Suape conseguiu ser licitado, “na realidade até hoje desde a implantação da nova lei dos portos, nenhum terminal foi licitado no Brasil”.

Manteli destacou ainda um problema mencionado por muitos especialistas: a centralização. “Um pais como o Brasil ser centralizado é absurdo, a ideia de Brasília é justamente estabelecer um centralismo, e não há como ter competitividade assim. É essa desorganização que afeta o nosso setor”.

Para ele, existe uma desgovernança portuária no que se refere a administração dos portos. Ressaltando que não há autonomia decisória, administrativa, operacional e financeira. “Nós precisamos organizar o setor: descentralizar, oferecer um serviço privado e não público, pois se não o intervencionismo e a insegurança jurídica vão aumentar”.

Karin Mickenhagen, sócia- diretora da Deugro, finalizou dizendo que o País precisa ganhar eficiência para que possa atingir seus objetivos sem ficar para trás. “O que a gente está falando aqui é um fato, no Brasil a gente roda, roda, roda e não sai do lugar e isso é uma frustação”.

Fonte: Guia Marítimo