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Economia brasileira deve crescer menos que 2% no ano

O Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 não deve chegar a 2% segundo instituições financeiras. A previsão do Itaú Unibanco, divulgada ontem, é de que o crescimento deste ano chegue a 1,4%. Já o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), espera uma alta de 1,73%, de acordo com relatório divulgado também ontem.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, disse que este ano será de incertezas. Ele chamou a atenção para o fato de que o setor público não conseguiu ser fomentador de investimentos nos últimos anos e que, a decisões sobre o modelo de concessões, apesar de acertado, ainda leva tempo para se ter resultados e que estes não devem entrar no cálculo do PIB deste ano.

Para janeiro, o Itaú projeta um PIB mensal de 1,1%. Segundo Aurélio Bicalho, economista da entidade, isso não representa necessariamente uma economia mais forte, mas sim uma compensação do mês de dezembro que teve um PIB mensal calculado pelo banco de -0,8%.

Sobre o crescimento regional, o economista apontou que a Região Centro-Oeste tende a mostrar taxas mais elevadas do que a média porque temos um crescimento da agropecuária acima do PIB. “Mas é importante destacar que o crescimento da agropecuária vai ser menor neste ano do que no ano passado, em que tivemos um ano forte pela safra que cresceu em ritmo muito elevado, então é uma economia que tende a ser mais equilibrada”, colocou. Para 2015, o banco está mais otimista e projeta um PIB de 2%, mesma expectativa da Anbima.

Meta fiscal e outras previsões

O economista-chefe do Itaú destacou que o anúncio da meta fiscal, feito na última semana pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi positivo e demonstrou um “esforço importante de comunicação”. Apesar disso, Goldfajn observou que a questão é saber se o governo irá conseguir fazer o ajuste prometido ainda neste ano, que é mais difícil. “É possível que deixe para fazer o grosso apenas em 2015”, disse.

Mantega projetou que o superávit primário fique em 1,9% do PIB, o Itaú no entanto espera 1,3%. Segundo Ilan Goldfajn a situação fiscal ainda está difícil e os riscos do rebaixamento da nota de crédito do País “são grandes, mas não necessariamente neste ano”. Ele afirmou que a prioridade do governo em 2014 deve ser entregar em todos os meses o ajuste fiscal. ” Com números ficais melhores, o humor do mercado também melhora. Se o governo atingir os 1,9% previstos pode inclusive evitar o rebaixamento”, colocou.

Apesar disso, ele ressaltou que “ao longo dos anos, o que vai importar é o crescimento da economia, é o que irá gerar melhora no humor do mercado, não o crescimento em apenas um ano mas um crescimento sustentável”, completou o economista.

Hoje o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) irá decidir sobre a taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 10,5%. O Itaú espera que a taxa aumente em 0,25 pontos percentuais nesta reunião e mais 0,25 na próxima, fechando o ano em 11%.

Para a taxa de câmbio, o banco projeta R$ 2,55. O dado, segundo os especialistas do Itaú, irá ajudar em um maior equilíbrio da balança comercial e do déficit em conta corrente. A expectativa do é que esta fique em -3,6% do PIB.

Já a inflação deve ficar em 6,2% neste ano. A instituição financeira aposta em um novo reajuste nos preços da gasolina no mês de novembro, o que impactaria em 7% na refinaria. Sobre os outros preços administrados, o economista-chefe do Itaú disse não acreditar que devam sofrer alterações. ” O governo deve suavizar o ajuste, fazendo um pouco neste ano e uma pouco no próximo”, completou o especialista.

Cenário internacional

O Itaú projeta que o mundo irá crescer mais em 2014, com 3,5% ante 2,8% em 2013. Os Estados Unidos devem crescer 3% e a zona do euro 0,9%. O possível aumento das taxas de juros da economia americana deve influenciar a economia brasileira e dos emergentes principalmente pela valorização das moedas.

Fonte: Diário do Comércio e Indústria