O dólar subiu frente ao real nesta quinta-feira (18), depois de três quedas seguidas, e voltou a fechar acima de R$ 3,70.
A moeda norte-americana terminou o dia em alta de 1,11%, vendida a R$ 3,7222. Já o dólar turismo encerrou negociado a R$ 3,88, sem considerar o IOF (tributo). Na véspera, o dólar fechou em queda de 1,04%, a R$ 3,6815, valor mais baixo desde o dia 25 de maio (R$ 3,665).
A alta nesta quinta-feira foi um aparentemente movimento de ajustes, após a firme queda na véspera. O repique da cotação ocorre num ambiente global de fortalecimento da moeda americana. Especialistas reforçam, entretanto, o ambiente ainda se mostra bastante favorável ao bom comportamento da divisa ante o real.
O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 5,005 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vencem em novembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.
Após o fechamento dos mercados, a agência Bloomberg informou, citando duas fontes, que Ilan Goldfajn se prepara para deixar o Banco Central no final do ano, o que pode gerar mais instabilidade nos mercados nos próximos dias. Procurado pela Reuters, o BC não quis comentar a notícia.
“A notícia adiciona dúvidas em um momento no qual já existem várias incertezas sobre a composição do novo governo. A permanência dele seria um problema a menos. Não estava certo e ele iria continuar, mas agora essa troca parece mais certa de ocorrer”, disse o gerente de investimentos de um fundo de pensão no Rio de Janeiro, que pediu para não ter o nome citado.
Perspectivas
Desde agosto, a moeda norte-americana vinha se mantendo acima de R$ 4, em meio a incertezas sobre a corrida eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que fez aumentar a procura por proteção em dólar.
Nas últimas semanas, porém, a expectativa de que a cautela iria predominar nos mercados foi substituída por ajuste de posições e uma intensa queda da moeda, em meio ao resultado do 1º turno e expectativas sobre o desfecho da corrida eleitoral.
O mercado prefere candidatos com viés mais reformista e liberal, e entende que aqueles com viés mais à esquerda não se enquadram nesse perfil. E cresce entre os investidores a percepção de que o país poderá ser governado por alguém com um perfil mais alinhado às suas preferências.
A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 recuou de R$ 3,89 para R$ 3,81 por dólar, segundo previsão de analistas de instituições financeiras divulgada por meio de boletim de mercado pelo Banco Central nesta semana. Para o fechamento de 2019, caiu de R$ 3,83 para R$ 3,80 por dólar.
A despeito das persistentes incertezas para a economia brasileira, alguns especialistas apontam que uma nova rodada de queda do dólar no curto prazo não é descartada. Mas seria preciso um movimento bastante intenso de busca por risco no exterior ou uma nova onda de euforia com o futuro cenário político e agenda de reformas.
Fonte: G1 Economia