Nesta quarta, a moeda norte-americana caiu 0,6%, vendida a R$ 5,4056.
O dólar opera em alta nesta quinta-feira (14), acompanhando a força da moeda norte-americana no exterior conforme cresciam as apostas de que o Federal Reserve (Fed) promoverá um aperto monetário mais agressivo do que o anteriormente estimado pelos mercados financeiros.
Às 12h24, a moeda norte-americana subia 0,69%, negociada a R$ 5,4423. Veja mais cotações.
Na véspera, o dólar recuou 0,6%, vendido a R$ 5,4056. Com o resultado, a alta é de 2,62% na semana e de 3,3% no mês. No ano, ainda tem desvalorização de 3,04% frente ao real.
O que está mexendo com os mercados?
A adoção de um aumento de juros de 1 ponto percentual completo pelo banco central dos Estados Unidos em sua próxima reunião, no final deste mês, já é o cenário mais provável segundo alguns indicadores do mercado. Apostas em ajuste dessa magnitude cresceram depois que dados do dia anterior mostraram a inflação norte-americana acelerando para nova máxima em mais de 40 anos em junho.
A perspectiva de juros mais altos nos EUA, além de dever atrair investimentos para lá, pode prejudicar o apetite por risco global, uma vez que reforça os riscos de uma recessão.
“A economia, invariavelmente, irá sofrer” diante dos esforços do Fed para conter a inflação, escreveu Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG. “Resta a dúvida de qual será a velocidade, magnitude e duração da desaceleração do crescimento. Os riscos de um resultado mais negativo aumentaram consideravelmente.”
O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentou em 9 mil na semana encerrada em 9 de julho. Trata-se da segunda semana consecutiva de alta, sugerindo arrefecimento no mercado de trabalho em meio a uma política monetária e condições financeiras mais rígidas.
Já o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos registrou alta de 1,1% em junho depois de avançar 0,9% em maio. Nos 12 meses até junho, o índice teve alta de 11,3%, de 10,9% em maio.
A Comissão Europeia cortou as previsões para o crescimento econômico da zona do euro neste ano e no próximo e elevou suas estimativas de inflação, devido ao impacto da guerra na Ucrânia.
Ainda hoje será divulgado o PIB da China no 2º trimestre. As ações dos setores bancário e imobiliário da China caíram nesta quinta, uma vez que uma onda de compradores de casas se recusa a pagar empréstimos hipotecários de projetos atrasados. O movimento ameaça a recuperação do setor imobiliário e pode desencadear a intervenção do governo.
No Brasil, os ativos vêm sendo pressionados pelo desarranjo das contas públicas. A Câmara aprovou na noite passada a PEC dos Benefícios, que amplia os gastos do governo em cerca de R$ 41 bilhões fora do teto de gastos. Apelidado de “PEC Kamikaze” ou “PEC Eleitoral”, o pacote reacendeu temores de descontrole fiscal e de uma pressão ainda maior nos juros e inflação.
A PEC cria um estado de emergência e, entre as principais propostas, amplia o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, dobra o benefício do vale gás e cria um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos. As medidas valem até 31 de dezembro deste ano.
O Ministério da Economia reduziu a estimativa de inflação para 2022 de 7,9% para 7,2% e elevou de 1,5% para 2% a projeção de alta do Produto interno Bruto (PIB). Já o Banco Central divulgou que a “prévia do PIB” aponta queda de 0,11% em maio – segundo mês seguido de recuo.
Fonte: G1 Economia