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Da depressão à estagnação, economia brasileira vive década perdida

Apesar de não ser consenso, termo usado para década de 80 volta a circular diante da frustração com uma retomada mais forte já em 2019

 

Os últimos dados e previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a renda já fazem com que muitos economistas classifiquem de nova década perdida os anos entre 2011 e 2020.

 

O cálculo da LCA Consultores é que o PIB per capita (PIB dividido pelo número de cidadãos) do Brasil terá recuado 0,5% ao final do período.

 

“Vamos revisar para baixo o PIB de 2019 e de 2020, então esse recuo terá um viés ainda pior”, explica a economista Ana Luísa Lisboa Mello, da LCA.

 

No mesmo intervalo o PIB real avançou, em média, 1% por ano. O cálculo do PIB per capita fica abaixo disso pois a população também cresce a uma taxa próxima do 1% anual, em média.

 

“Do ponto de vista do poder de compra da maioria, podemos dizer que esse período foi perdido”, afirma Daniel Duque, pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

 

Um estudo publicado por ele no início da semana mostra que a perda de renda foi ainda mais intensa entre a parcela mais vulnerável da população.

 

Ele aponta que desde 2012, os 40% mais pobres perderam 14% de renda do trabalho. Considerando apenas o período de 2015 para cá, a queda foi de 22%.

 

Medida pelo índice de Gini, a desigualdade da renda do trabalho chegou no último trimestre a 0,627, o maior patamar da série histórica iniciada em 2012. Quanto mais perto de 1, maior é a desigualdade.

 

“A situação de estagnação econômica em que o país vive vem acompanhada de uma piora no mercado de trabalho, do avanço bastante lento da renda média e do aumento na desigualdade”, diz.

 

Marcel Balassiano, economista também da FGV, vai mais longe e avalia que o Brasil está perto de concluir sua pior década em termos econômicos em mais de um século, de acordo com artigo publicado em março.

 

Para que sua previsão não se concretize, a economia brasileira precisaria crescer mais de 5% neste ano e no próximo, algo totalmente fora do radar dos analistas.

 

Fonte: Exame