Mansueto Almeida comentou o PIB de 2019, alta de 1,1%, a menor em três anos. Para ele, não é normal um país em desenvolvimento, como o Brasil, crescer a taxas de 1% ao ano.
O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, avaliou nesta quinta-feira (5) que o crescimento econômico brasileiro ainda é “muito baixo” e causa “frustração em vários segmentos da sociedade”. As declarações foram dadas na abertura do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad), em Brasília.
“Nós somos um país que ainda está passando por enormes dificuldades. Se me perguntarem se eu durmo tranquilo, eu não durmo tranquilo. Eu estou muito preocupado, porque a gente está ainda em um país em que o crescimento é muito baixo. Não é normal o país em desenvolvimento como o é Brasil crescer 1% ao ano. Isso é normal? Isso não é normal. Um país com tanta carência, com uma desigualdade tão grande, crescer 1% ao ano, claramente causa frustração em vários segmentos da sociedade”, afirmou o secretário.
Nesta quarta-feira (4), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% em 2019. Foi o desempenho mais fraco em 3 anos, com o resultado afetado principalmente pela perda de ritmo do consumo das famílias e dos investimentos privados.
Foi a terceira alta anual consecutiva após dois anos de retração, mas a recuperação lenta ainda mantém a economia do país abaixo do patamar pré-recessão. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
Por conta do atual cenário, explicou Mansueto Almeida, é importante chegar a um entendimento sobre o que o país precisa fazer para o crescimento econômico e o investimento público e privado serem maiores.
“Esse é um bom debate. E aí a gente vai para o orçamento. O orçamento é, por natureza, uma peça politica, e é bom que a gente entenda isso de uma forma muito clara. Eles [parlamentares] são os representantes da sociedade. A gente tem de respeitar o orçamento e fazer o debate das nossas prioridades com o que está no orçamento”, afirmou.
Ele disse, porém, que fica assustado porque atualmente “se dá pouca importância, ou se conhece pouco, sobre as decisões que são tomadas no orçamento”. “A gente tem de melhorar muito a transparência”, acrescentou. Para ele, a divergência é o “cerne do bom debate político”, que deve ser feito com “serenidade, calma e transparência”. “Precisamos ter um bom diálogo para debater essas diferenças”, disse.
De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, o que não pode é “querer aprovar coisas de forma desesperada”. “O Congresso não está atrasando, está debatendo. Ele tem o seu ‘timing’ de discutir reformas, está debatendo”, declarou. Concluiu dizendo que o Congresso “está muito aberto ao debate”. “A gente nem sempre concorda com tudo, muitas vezes concorda, muitas vezes discorda. Mas há um ambiente muito favorável ao debate econômico”.
Área econômica
Também nesta quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 ficou “dentro do previsto”.
“À medida que as reformas vão acontecendo, e elas vão ser implementadas, o Brasil vai reacelerando. Então, está tudo dentro do previsto. Eu nem entendi essa comoção toda: ‘Ah, 1,1%’. O que que eles esperavam? Era 1% que nós tínhamos dito que ia crescer no primeiro ano. No segundo ano, a gente acha que é acima de 2%, prosseguindo com as reformas”, declarou o ministro na ocasião.
O secretário-especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou nesta quarta que o resultado do PIB no ano passado veio em linha com o esperado. Para ele, a dinâmica do ano passado, separada por semestres, “mostra um segundo mais forte e dinâmico do que o primeiro”.
Para este ano, o secretário afirmou que é importante manter a agenda de reformas, com a votação da PEC dos fundos públicos, além das PECs da emergência fiscal, do pacto federativo, e mudanças no regime de recuperação fiscal dos estados. Também defendeu a aprovação das reformas administrativa e tributária, e afirmou que os estímulos ao crédito ajudarão a impulsionar o ritmo da economia.
Fonte: G1 Economia