Utilizar contêineres para otimizar o transporte de soja das zonas produtoras, no interior do Brasil, até o Porto de Santos. Essa é a proposta do superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em São Paulo, Francisco Sérgio Ferreira, para garantir uma maior agilidade nas operações durante o escoamento da safra agrícola até o cais santista.
A alternativa foi apresentada durante o Fórum Operação Safra 2015, que aconteceu na terça-feira(10), no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, no Porto de Santos. O encontro reuniu cerca de 20 órgãos para debater como evitar congestionamentos nos acessos ao cais santista, durante o escoamento da produção de grãos, que, na prática, deve começar no próximo dia 2.
“Existem estímulos a alguns processos. Hoje, algumas empresas estão trabalhando com contêineres de soja, estufando fora da região de Santos. E isso também é um facilitador. Algumas questões estão sendo montadas e eu acho que este debate é importante para integrar o Ministério da Agricultura, que monta todo o cenário de diagnóstico e perspectivas de produção, para levar para o setor dos transportes e para os portos. Estimula-se a produção e também se cria um ambiente que facilita a chegada desse produto ao Porto”, explicou o superintendente.
Segundo Ferreira, conteinerizar a soja é uma solução mais ágil e que não demanda grandes investimentos. Com isso, os tempos de operação seriam menores e os embarques não seriam interrompidos em períodos de chuva.
“É uma alternativa importante porque ele (o contêiner) já vem pronto. É só liberar e embarcar. Tem discussões de empresas querendo montar dutos, existem opções sendo estudadas, mas são demoradas. Essa questão do estufamento do contêiner é um processo interessante pela agilidade dele. Seria estufado em Uberlândia (MG).Em São Paulo, tem procura de empresários querendo investir nisso e estamos estimulando esse processo”, explicou o representante do Ministério da Agricultura.
O superintendente também destacou que a pasta quase dobrou o número de servidores no Porto de Santos no final do ano passado. Tudo para garantir a agilidade das operações durante o escoamento da safra.
Transportes
Uma outra estratégia para melhorara chegada das cargas agrícolas a Santos foi apresentada pelo secretário de Políticas Nacionais do Ministério dos Transportes, Miguel Massella. Ele propõe concentrar no Porto apenas parte da produção de quatro estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais.
“O custo de transporte de Sorriso (MT) para Santos é o de 2 mil quilômetros, ao passo que, se exportar pela região Norte, cai pela metade. Então, a nossa principal função agora é oferecer saídas novas para a área da produção”, explicou.
Segundo o secretário, a economia no transporte terrestre ficará mais evidente após a duplicação do Canal do Panamá, a ser concluída no próximo ano. Com ela, a via que liga os oceanos Pacífico e Atlântico poderá receber cargueiros de grandes dimensões, encurtando a rota dessas embarcações entre o Brasil e o Extremo Oriente.“ Os navios de longo curso não precisarão dar a volta na África para chegar na China, por exemplo. Então serão duas distâncias (a serem reduzidas), a terrestre e a marítima”, explicou.
Fiscalização
De acordo com o coordenador de Fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Basílio Militani Neto, entre a próxima quinta-feira(19) e o dia 18 de abril, haverá um esquema especial de fiscalização em rodovias. Ele acontecerá na altura dos municípios de Paranaíba e Aparecida do Taboado, em Mato Grosso do Sul, e em Araraquara e Limeira, em São Paulo, para verificar, principalmente, se os veículos cumpriram o agendamento da chegada de caminhões ao Porto, implantado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária de Santos) e pela Secretaria de Portos.
Fonte: A Tribuna