Reduzir o escopo para otimizar custos. Essa é a ordem do Governo Federal para que a construção do Mergulhão – a passagem subterrânea que eliminará definitivamente o conflito rodoferroviário no Cais do Saboó, na Margem Direita do Porto de Santos – possa sair do papel. Inicialmente orçada em R$ 300 milhões, a obra poderá custar ao menos três vezes mais. Brasília quer economizar. Por isso, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), responsável pelo empreendimento, pretende adequar o projeto. E deseja fazer isso a tempo de abrir sua licitação até o fim do ano.
O Mergulhão será uma pista subterrânea destinada ao tráfego rodoviário (o ferroviário continuará no nível do solo, acabando com o cruzamento). Ele integra o conjunto de obras da segunda etapa da Avenida Perimetral de Santos, que reúne as intervenções programadas para a região entre o Saboó e o Paquetá (onde interliga-se à primeira fase, já concluída).
Atualmente, a Docas trabalha contra o tempo com a Prefeitura de Santos e a Secretaria de Portos (SEP) da Presidência da República, além do Ministério Público, para definir alternativas sem descaracterizar o propósito inicial. “Faremos um arranjo de obra menor, mas que produza os mesmos efeitos”, explica o diretor de Infraestrutura da Codesp, Paulino Vicente.
O projeto executivo, em andamento há quase um ano e previsto para ser concluído até a primeira quinzena de setembro, apontou que o orçamento inicial, previsto no repasse de verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da última década, não será suficiente. Entre os motivos levantados, está a necessidade de reforço do Cais do Valongo – uma vez que o tráfego de caminhões e as linhas de trens terão que ser remanejadas para lá, durante os três anos previstos para a construção da passagem subterrânea. Há ainda uma formação rochosa, encontrada na região da Alfândega da Receita Federal, que, a princípio, precisaria ser retirada, uma vez que a passagem de nível abrangerá justamente todo esse trecho.
Tais ações elevaram o custo do projeto para R$ 820 milhões, segundo estudos realizados até este mês. Para reduzir essa cifra, uma opção é diminuir em até 240 metros a passagem subterrânea. Nessa configuração, o Mergulhão iria da divisa da Alemoa e o Saboó até a Praça Barão do Rio Branco (na frente do prédio da Justiça Federal, na direção do Armazém 4). Desta forma, aos invés de 970 metros, a estrutura teria, no máximo 730 metros (mais 200 metros de cada lado para as rampas de acesso, o que somaria 1.130 metros de comprimento total).
Isso levaria a uma economia (ainda não mensurada) no material utilizado para a construção e no procedimento de retirada da rocha ao lado do prédio histórico do Fisco, o que iria requerer uma série de cuidados.
Senso comum
“Temos que baixar o custo do empreendimento a valores mais factíveis”, reafirma Paulino, sem pontuar o valor máximo com que o Governo Federal trabalha. Para que a definição seja apresentada a público em setembro, são realizadas reuniões semanais entre o consórcio responsável pelo projeto executivo e representantes da Codesp, da SEP e da Administração Municipal.
O diretor do Departamento de Revitalização e Modernização Portuária da SEP, Antônio Maurício Netto, que também é presidente do Conselho de Autoridade Portuária (CAP) de Santos, vê como certa a redução do Mergulhão para que ele possa acontecer. No entanto, ressalta a necessidade de se manter o objetivo do projeto inicial, que é revitalizar a área e eliminar o gargalo. “Ele não terá funcionalidade se isso não for cumprido”, alertou.
Da mesma maneira, o secretário municipal de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, José Eduardo Lopes, lembra que o Projeto Porto Valongo, que reúne uma série de melhorias para a região central da Cidade e para o Cais do Valongo (como a instalação de marinas e um novo terminal de passageiros), também é um condicionante. “Nossa discussão é no sentido de adequar essas mudanças a esse projeto de revitalização, previsto deste o começo”, garante.
Fonte: A Tribuna