A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) investiga a hipótese de falha de comunicação como causa do acidente envolvendo o navio chinês Hua Qiang (graneleiro) e o cargueiro libanês Djanet (químico). O comandante da embarcação chinesa iniciou a entrada do Canal do Estuário, no Porto de Santos, sem um prático a bordo – o que é proibido.
O episódio ocorreu por volta das 16 horas desta quinta-feira, quando os dois navios se chocaram durante uma manobra de entrada no canal de acesso. Ninguém ficou ferido. A batida foi comunicada à Autoridade Portuária às 19 horas.
O acidente assustou seus tripulantes e interrompeu o tráfego de embarcações para o Porto por alguns minutos. Foi o navio de bandeira liberiana que atingiu pela proa (parte frontal) o de procedência chinesa na lateral esquerda, próximo a poupa (traseira). Os danos estruturais, que podem comprometer a navegação de ambos, ainda são avaliados.
O Hua Qiang deve seguir viagem neste sábado. Já o Djanet não tem prazo para deixar o porto.
A Praticagem de São Paulo garante, por meio da assessoria de imprensa, que o primeiro da fila (apesar de não estar nessa posição) era o navio libanês. O prático, inclusive, estava a bordo para orientar a entrada do Canal do Estuário. Fato diferente do cargueiro chinês, que ainda tinha que aguardar a chegada do prático, mas estava a frente do outro, já próximo à Ilha das Palmas.
A Capitania dos Portos já instaurou inquérito para apurar o que aconteceu. Para o comandante, capitão dos Portos de São Paulo, Ricardo Gomes, uma falha na comunicação entre todos os envolvidos pode ser o que resultou na colisão. “Estamos ouvindo as partes e ainda não chegamos a uma conclusão. O fato é que o Hua Qiang estava em um lugar restrito”, explicou.
Sobre a situação de o choque ter acontecido já com o prático a bordo, o comandante da Marinha acredita que ele foi o responsável, na verdade, por evitar um mal maior. “Ele (o prático) já deve ter assumido o comando em rota de colisão. Então, ele conseguiu minimizar, ao máximo, o impacto”. O que Gomes quer entender, porém, é o que o motivou o cargueiro chinês a estar naquele lugar.
A CPSP tem 90 dias para finalizar o Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação.
Fonte: A Tribuna