O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá analisar a fusão entre a concessionária ferroviária América Latina Logística (ALL) e a operadora Rumo, do grupo Cosan, na próxima quarta-feira(18). O órgão antitruste poderá limitar a atuação da Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, com atuação em distribuição de combustíveis e líder na produção de açúcar e etanol no País.
A expectativa sobre uma decisão definitiva a respeito do caso ALL-Rumo é grande. Na última quinta-feira(5), as ações da ALL encerraram com alta de 21,4%, a R$ 4,42. Os papéis da Cosan Logística subiram 27,9%, a R$ 2,70. A forte alta reflete as apostas do mercado de que a fusão poderá ser aprovada, mesmo com restrições.
A preocupação é que a Raízen não seja beneficiada em relação aos concorrentes. Medidas comportamentais já teriam sido debatidas entre o órgão antitruste e as companhias, de acordo com fontes a par do assunto.
No último dia 9 de dezembro, a Superintendência-Geral do Cade recomendou ao tribunal do órgão antitruste a impugnação da operação, indicando em seu relatório preocupações sobre a fusão. O conselheiro Gilvandro Araújo foi nomeado relator do caso. Ele foi o conselheiro que reprovou a compra dos ativos da Solvay no Brasil e na Argentina pela petroquímica Braskem, em novembro do ano passado.
Nas últimas semanas, advogados das duas companhias intensificaram diálogos como órgão antitruste para esclarecer qual será o papel da nova companhia, formada a partir da união entre Rumo e ALL, para afastar preocupações concorrenciais identificadas.
Procuradas, ALL e Cosan não comentam. O Cade confirmou que o caso foi colocado na pauta do dia 11. Mas esclareceu que algum conselheiro poderá pedir vistas do processo.
Fonte: A Tribuna