Com informações da Estadão Conteúdo
Para finalmente destravar os gargalos de logística de transportes no Brasil, seriam necessários investimentos de quase R$ 1 trilhão, aponta um estudo divulgado na última sexta-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). O documento listou 2.045 projetos prioritários em todos os modais, incluindo a movimentação de cargas e passageiros, que somados chegam a R$ 987 bilhões.
Para se ter uma ideia desse montante, todo o Programa de Investimentos em Logística (PIL) do Governo Federal soma empreendimentos avaliados em R$ 270,1 bilhões em uma conta que inclui o sempre adiado Trem de Alta Velocidade a um custo de R$ 35,6 bilhões. De acordo com a CNT, as necessidades do Brasil são maiores para que o desenvolvimento do País seja alavancado por meio de projetos que darão maior competitividade ao setor produtivo.
A maior parte dos investimentos – R$ 448,83 bilhões – é direcionada ao modal ferroviário. Em seguida, estão o rodoviário (R$ 361,68 bi) e a navegação de interior (R$ 61,03 bi). O setor portuário aparece em quarto lugar, com intervenções orçadas em R$ 61,02 bilhões. Entre elas, estão a dragagem dos portos de Santos (cujas obras devem ser contratadas ainda neste ano, segundo a Secretaria de Portos), São Sebastião (SP), Itaguaí (RJ) e Itaqui (MA); e a ampliação de terminais especializados (frigoríficos, de contêineres, granéis, petroquímicos e agrícolas).
No total, o setor portuário teve 261 projetos identificados no estudo – o quarto segmento em quantidade de empreendimentos, atrás apenas das áreas rodoviária (618), de mobilidade urbana (343) e terminais (303).
Entre as obras previstas para os portos, estão a construção de 356,3 quilômetros de acessos terrestres, 26 projetos de dragagem (com a retirada de 78,9 milhões de metros cúbicos), 136 de ampliação de área e 63 de construção de complexos marítimos.
Também são listadas no estudo a construção e a duplicação de rodovias, a expansão de hidrovias, a implantação de ferrovias, a construção e a ampliação de aeroportos e a construção e a adequação de terminais de cargas, entre outros. Além disso, a estudo elenca corredores de ônibus e trens de passageiros, monotrilhos, metrôs e terminais de passageiros.
O levantamento também inclui diversos empreendimentos urbanos voltados principalmente para o transporte público em 18 regiões metropolitanas do País.
A CNT alertou que a retomada dos investimentos públicos em infraestrutura de transportes não tem sido suficiente para adequar a oferta dos serviços à demanda do País. Por isso, a entidade defende que o setor privado aumente sua participação nesses projetos.
Fonte: A Tribuna