As incertezas quanto à tensão comercial entre Estados Unidos e China voltou a pesar nos mercados acionários e o Índice Bovespa perdeu fôlego na última sexta-feira. O indicador encerrou em leve baixa de 0,11%, aos 103.996,16 pontos.
O indicador chegou a subir moderadamente pela manhã, mas inverteu a tendência no início da tarde, sob influência direta das bolsas de Nova York. Na semana, o índice acumulou alta de 1,29%, na contramão das perdas dos índices norte-americanos.
Mais uma vez, o mau humor do investidor foi justificado pelos sinais de que os conflitos comerciais e cambiais entre EUA e China não têm data para terminar, dadas as sucessivas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump.
As quedas do Ibovespa foram puxadas pelas ações de bancos e pelos papéis de empresas ligadas a commodities. Vale ON seguiu a queda dos índices de metais e terminou com perda de 3,58%, na mínima do dia, contaminando as ações de siderurgia. Nesse grupo, o destaque negativo ficou para Usiminas PNA (-2,41%) e também CSN ON (-2,01%).
As quedas das blue chips foram amenizadas em boa parte por papéis dos setores de consumo, utilities e energia elétrica – que compõem o grupo de setores considerados os mais rapidamente beneficiados pelo esperado aquecimento da economia. Nesse grupo, destaque para B2W ON (+17,75%) e CVC ON (+9,27%), ambas repercutindo aspectos positivos dos seus resultados trimestrais
Mercado cambial
O dólar, por sua vez, acumulou alta de 1,26% nos últimos cinco dias, marcando a quarta semana consecutiva de valorização, de 4,09%. O movimento tem sido puxado principalmente pelo noticiário externo, sobretudo a intensificação da tensão comercial entre os Estados Unidos e a China.
No mês, o dólar já tem alta de 3,2% no mercado à vista, subindo em cinco dos sete pregões até agora. Na sessão de sexta, a moeda americana terminou em R$ 3,9405 (+0,33%).
“A tensão comercial deve prosseguir e provocar ondas de volatilidade nos mercados de moedas nas próximas semanas”, avalia o estrategista de moedas em Nova York do banco BBVA, Alejandro Cuadrado. Para ele, é difícil neste momento o dólar voltar a patamares vistos em julho, quando recuou ao nível de R$ 3,70.
Apesar do cenário externo mais desafiador, o executivo do BBVA avalia que há razões para ficar otimista com o real, principalmente na comparação com outros pares da moeda. Entre as razões, a expectativa de mais cortes de juros nos EUA e avanços da agenda econômica com a aprovação da Previdência na Câmara.
Na última sexta-feira o Itaú e Bradesco mantiveram suas projeções para o dólar no final do ano em R$ 3,80. Mas os economistas do Itaú veem o dólar a R$ 4,00 no final de 2020, por conta do “ambiente global mais desfavorável”. Já o Bradesco avalia como “transitórios” os efeitos do quadro externo e estima o dólar em R$ 3,80 ao final do ano que vem.
O estresse que pautou os ativos financeiros ao longo da última sexta-feira teve efeito limitado no mercado de juros.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou em 5,445%, de 5,471% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2021 fechou em 5,39%, estável e a taxa para janeiro de 2023 passou de 6,341% para 6,35%. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,85%, de 6,831%. /Estadão Conteúdo
Fonte: DCI