Especialista aponta os entraves e vantagens de cada modal que podem fazer com que o Brasil ganhe competitividade
“Vejo como insuficiente a atual logística no Brasil. Temos uma insustentável dependência do modal rodoviário em estradas deficientes, além de escassa rede de integração com outros modais, desde o ferroviário, aquaviário e aéreo, resultando em sobre preço desnecessário e dificultando a questão de competitividade do País”. A afirmação é de Antonio Carlos Porto de Araújo, especialista em meio ambiente e transportes e sócio- consultor da Agrociclo Consultoria Estratégica e Treinamento.
Em entrevista exclusiva ao Guia Marítimo, o executivo conta como nossa atual infraestrutura e dependência do modal rodoviário freia a competitividade do País e quais as ações necessárias para mudar este panorama.
Hoje, como você vê a atual logística de transportes do Brasil?
Insuficiente. Temos uma insustentável dependência do modal rodoviário em estradas deficientes, além de escassa rede de integração com outros modais, desde o ferroviário, aquaviário e aéreo. O resultado é um sobre preço desnecessário que dificulta a questão de competitividade do País.
O que espera para o setor de transporte, visando o aquaviário, para este segundo semestre? Quais as expectativas?
A utilização do modal aquaviário tem a missão de propiciar um melhor deslocamento de carga pelo país. Sobretudo barateando o custo de transporte de commodities agrícolas e minerais. Porém, ainda há muitos desafios a serem superados, desde a escassez de chuva com a consequente inoperância à plena carga. Até mesmo à falta de linhas regulares quanto de cargas adicionais.
E os custos?
No Brasil houve sensível redução de custos de transporte marítimo nos locais em que se buscou a interconectividade portuária com linhas regulares de cabotagem. Atribuída a isso, provavelmente aos ganhos proporcionados pela economia de escala. Isso significa que há um caminho, ainda que longo, a ser navegado para responder com eficiência a necessidade de transporte da produção. Para agora, porém, não há perspectivas muito otimistas para se chegar ao aproveitamento mais satisfatório do transporte aquaviário.
E a matriz de transporte brasileira?
Em termos de competitividade temos a concentração na malha rodoviária, que ao encarecer o custo logístico, transfere para o produto transportado. Em termos comparativos, esse mesmo produto, seja commodity ou manufaturado, acaba com preço final maior do que similares de outros mercados. Em termos de eficácia, a matriz concentrada no modal rodoviário atrasa a entrega. Principalmente em longas distâncias e em maior volume de cargas.
A nova lei dos motoristas, não ajuda nesse sentido?
Com a promulgação da nova lei aplicável aos motoristas, já se percebe os impactos nas agendas de entrega. Nos casos de transporte de grandes volumes a granel, ainda, há um custo adicional importante que é representado pela perda causada pelo que “escapa” no transporte pelo caminhão.
Fonte: Guia Marítimo.