Para representantes do setor, o importador brasileiro não tem a cultura da logística, e por isso acaba pagando um alto preço nas suas compras no exterior
A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) quer aprimorar o trâmite negocial, contratual e operacional dos processos de importação e exportação. Segundo Mário Povia, diretor geral da Antaq, a medida é fundamental para a Agência estreitar as relações com o usuário. “Temos 14 unidades regionais e mais os postos avançados. Podemos chegar a qualquer ponto do território nacional em poucas áreas”.
Na opinião do diretor-adjunto de Logística e Transporte da Fiesp/Ciesp, Luís Augusto de Camargo Opice, o importador brasileiro não tem a cultura da logística, e por isso acaba pagando um alto preço nas suas compras no exterior. “Se ele agisse mais ao longo da cadeia logística no momento em que está comprando a mercadoria e assumisse essa responsabilidade se precaveria de uma série de problemas que acontecem na importação”, ressaltou.
Aliado a isso, Opice acredita que o país se ressente de uma melhor gestão da sua logística, o que acaba acarretando aumento do custo do produto brasileiro. “Se, por exemplo, pudermos usar as estradas nas horas em que elas têm uma alta ociosidade, na faixa das 20 horas às 6 da manhã, barateamos o frete sem gastar um centavo de investimento público. Basta que tenhamos efetivamente toda a cadeia logística funcionando 24 horas e não só o porto. Isso é gestão”, apontou.
Já o conselheiro do Cecafé, Luiz Otávio Araripe, destacou que em 2014, foram exportados 36,4 milhões de sacas de 60kg de café e embarcados 103 mil contêineres. “O café brasileiro foi exportado para 124 países em 2014. A Alemanha foi o país que mais recebeu o café brasileiro. No entanto, a Alemanha atua mais como transbordo. Da Alemanha, esse café vai para outros países da Europa, mas também fica na Alemanha”, explicou.
Segundo o representante da Aexa, Ademilson Pires, o país exportou quase 18 milhões de toneladas de açúcar pelo Porto de Santos na safra 2014/2015, de uma produção de mais de 35 milhões de toneladas no mesmo período. De acordo com Pires, os maiores importadores do açúcar brasileiro são os países da África Ocidental, que compram 50% do açúcar exportado, Ásia (30%) e Oriente Médio.
O representante da Aexa disse que apesar de existir ainda abusos por parte dos atores que atuam na exportação do açúcar, sobretudo armadores e operadores portuários, a realidade aos poucos está começando a mudar. Segundo Pires, os gastos com armazenagem no Porto de Santos, que responde por 87% das exportações de açúcar ensacado em contêineres, vem caindo nas últimas safras: em 2010/2011 foram de R$ 1,250 milhão, passaram para R$ 740 mil em 2011/2012, R$ 980 mil na safra 12/13, e agora na safra 2014/2015 foram de R$ 300 mil.
Fonte: Guia Marítimo.